São Paulo, 30/07/2010.

 

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HISTÓRIA DA SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA

Em 1912, no auge do primeiro período de industrialização de São Paulo, um grupo eclético de amantes das artes - poetas, jornalistas, músicos, advogados, professores, engenheiros, comerciantes, empresários - fundou uma sociedade para incentivar o desenvolvimento cultural da cidade, com a promoção de noitadas de música e literatura.

No início, predominou a presença dos melhores escritores e intelectuais da época: Afonso Arinos, Alfredo Pujol (cujo ciclo de conferências sobre Machado de Assis, depois reunidas em livro, se tornou fonte obrigatória de consulta para estudos machadianos), Graça Aranha, Olavo Bilac, Martins Fontes, Coelho Neto, Armando Prado, Amadeu Amaral, Oliveira Lima, entre muitos outros.

Mais tarde, a música foi preponderante. Quanto aos músicos brasileiros, ou aqui radicados, um simples lembrete apontaria desde logo para Antonieta Rudge, Guiomar Novais, Magda Tagliaferro, Souza Lima, Arnaldo Estrela, Villa Lobos, Mignone, Guarnieri, Braga, Oswald, Lorenzo Fernandes, Mehlich, Vera Janacopulos, Bidú Sayão, Eleazar de Carvalho, Fritz Jank, Franceschini, Cantú, Chiafarelli e muitos e muitos outros artistas. Mas não é possível esboçar sequer uma lista face aos limites deste breve relato. São centenas de nomes. Professores, intérpretes de toda espécie, regentes, compositores, orquestras, conjuntos de câmara, grupos vocais - praticamente todos os nomes importantes da música no Brasil já passaram pela Cultura.

Buscando suprir uma carência local que então se verificava, a Sociedade atuou também no setor do teatro falado. Diversas foram as companhias nacionais ou estrangeiras que aqui encenaram suas peças por iniciativa da Cultura.

Vale a pena lembrar também, o apoio dado às iniciativas pioneiras de Alfredo Mesquita (como autor teatral, diretor e chefe do Grupo de Teatro Experimental) e Décio de Almeida Prado (diretor responsável pelo Grupo Universitário de Teatro). O trabalho desses dois homens de teatro está na raiz do movimento que iria florescer mais tarde na maturidade do TBC e do teatro paulista em geral.
Aos artistas brasileiros foram se acrescentando as grandes figuras da música internacional. E São Paulo passou a ser incluída habitualmente na rota dos grandes intérpretes estrangeiros, bem como dos nacionais radicados lá fora.

Nada pode expressar melhor a importância da Cultura Artística do que este depoimento de Mário de Andrade :

"O que determina, em principal, o mérito primeiro e a utilidade magnífica da Sociedade de Cultura Artística é a qualidade musical que ela impõe a São Paulo, se erguendo a pioneira na apresentação dos grandes virtuosos e agrupamentos musicais de celebridade mundial. (...) E si é incontestável que a vida musical paulista ainda se consegue manter numa elevação muito honrosa, ela o deve em parte decisiva ao exemplo e ação da Sociedade de Cultura Artística."

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